Grande parte do nosso “encontro” com a arte revela-se, em termos
de acesso, na projecção desta
através dos media. A arte tornou-se um “ruído” consumido de forma compulsiva na
busca da próxima novidade. A arte assume, hoje, uma democratização radical em
que só existe opinião e cacofonia - naquilo que poderemos considerar como uma
certa crise da cultura democratizada.
Na vida contemporânea multitask
a arte surge, muitas vezes, não como centro mas como pano de fundo, revelando o
fim decorativo enunciado por Hegel. Na cultura mainstream a arte aparece-nos como redundante, disseminada em
múltiplas formas: no entanto, todas elas configuradas por sistemas que a
dominam e instrumentalizam com o irónico objectivo de nos fazer acreditar na subjetcivação.
Ainda teremos necessidade de reconhecer uma autonomia essencial da arte? Será ainda a arte
determinante na criação do “aspecto” do mundo?
Se o artista é um “profissional do aspecto” é-lhe possível
configurar o mundo: ou, pelo menos, propor para ele uma nova figuração. Neste
contexto, o artista surge dotado de uma intenção colocando-se, também, em
tensão entre real e ficção, entre politica e arte.
Assistimos a uma mudança das condições de produção e distribuição
que modificam não só o trabalho artístico mas, também, as características dos
receptores das obras, induzindo novas linhas de pensamento e percepção do
mundo. Neste colóquio, procura-se equacionar, mais em detalhe, as conjunturas de natureza artística, politica e
económica que determinam os actuais contextos.
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