domingo, 18 de novembro de 2012

Contexto


Grande parte do nosso “encontro” com a arte revela-se, em termos de acesso,  na projecção desta através dos media. A arte tornou-se um “ruído” consumido de forma compulsiva na busca da próxima novidade. A arte assume, hoje, uma democratização radical em que só existe opinião e cacofonia - naquilo que poderemos considerar como uma certa crise da cultura democratizada.
Na vida contemporânea multitask a arte surge, muitas vezes, não como centro mas como pano de fundo, revelando o fim decorativo enunciado por Hegel. Na cultura mainstream a arte aparece-nos como redundante, disseminada em múltiplas formas: no entanto, todas elas configuradas por sistemas que a dominam e instrumentalizam com o irónico objectivo  de nos fazer acreditar na subjetcivação.
Ainda teremos necessidade de reconhecer uma autonomia  essencial da arte? Será ainda a arte determinante na criação do “aspecto” do mundo?
Se o artista é um “profissional do aspecto” é-lhe possível configurar o mundo: ou, pelo menos, propor para ele uma nova figuração. Neste contexto, o artista surge dotado de uma intenção colocando-se, também, em tensão entre real e ficção, entre politica e arte.
Assistimos a uma mudança das condições de produção e distribuição que modificam não só o trabalho artístico mas, também, as características dos receptores das obras, induzindo novas linhas de pensamento e percepção do mundo. Neste colóquio, procura-se equacionar, mais  em detalhe, as conjunturas de natureza artística, politica e económica que determinam os actuais contextos.

Sem comentários:

Enviar um comentário